Não sou mais aquela gracinha de cabelos loiros e encaracolados que usava sapatilhas pretas pra dançar. Nunca fui meiga, mas irradiava felicidade. Hoje mal sei a cor do meu cabelo, cresci pra todos os lados e sei que só meu sorriso já não convence.
Andava de patins, depois veio o roller, eu virava estrelinha no gramado da casa da vizinha. Nunca fui boa em rimas, nunca consegui ler até o fim uma poesia, sempre gostei de inventar coisas, mundos, animais. Sempre detestei desenhar, pintar, mas gostava de cores e hoje tenho receio em usá-las.
Eu gostava de companhia mas sempre preferi estar sozinha, fazer as coisas do meu jeito e se eu pensar bem, não mudei tanto assim. E se me olharem bem, ainda encontrarão um pouco de criança. Talvez pela minha paixão pela vida. Eu brigo com ela às vezes, mas ainda assim sinto um prazer enorme em estar viva.
Sei que não sou de fácil convivência, não obrigaria ninguém a perpetuar ao meu lado. Tenho minhas peculiaridades, minhas chatices são grandes, gosto das coisas do jeito que aprendi e não sou muito aberta à novidades. Aliás, detesto ser contrariada, sou birrenta e braba. E necessito falar muito, o tempo todo. Por isso prefiro confessar às paredes porque além de tudo, sou egoísta. Individualista.
E é engraçado ver a pessoa que me tornei. Por que sempre fui preocupada demais com os outros, sempre quis ouvir suas histórias e hoje sou quase antissocial. Sei que tenho mudado muito nos últimos tempos, e mesmo assim eu sou a mesmíssima pessoa.
Nei Lisboa me entenderia:
O tempo se foi
Há tempos que eu já desisti
Dos planos daquele assalto
E de versos retos, corretos


2 comentários 02 pães e 01 cerveja:
E qual de nós não mudou?
E de todos nós, que mudamos tanto, não melhorou nada?
Muitas perguntas, muitas mesmo.
Tô contigo nas mesmas duvidas e constatações...
engraçado, todo mundo com quem eu falo, tem se sentido mais egoista, mais anti-social... e é engraçado mesmo, num mundo com tantas "redes sociais"... parace que ensimesmar virou coisa feia, comportamento repreensivo, algo de que se arrepender... Sou egoista, tanto quanto se pode ser, sou individalista, odeio toda mudança, detesto surpresas (de TODOS os tipos) e mesmo assim, sinto tanto orgulho. A vida é o resultado de nossas escolhas, já dizia o pré-vestibular... Não sei escrever, mais sei tanto pensar, de tanto falar comigo mesmo: minha melhor compahia...
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