Acredito que todos aqui já tiveram um amigo daqueles que sentiam que fosse uma extensão do próprio corpo, onde as afinidades só crescem, e se tornam irmãos siamêses. Inseparáveis, até algum momento em que tenham que tomar um rumo diferente na vida. Pra minha sorte, eu tive vários. Mas não a Ana.
A Ana sou eu, eu sou ela e não sei como vivemos tanto tempo sem nos conhecer. Ela na Bahia e eu aqui no Sul, e mesmo assim nossas vidas se cruzaram. Amar a Ana é pouco, minha vida não tem muito sentido sem ela. Apesar da distância que vivemos, ela é sempre a primeira a saber tudo que acontece comigo.
Tanto somos a mesma pessoa, que nós duas somos mães do Pedro, embora nunca na vida eu consegui sentir o cheirinho dele, ao menos.
Pois bem, vi a Ana lá em 2008, em maio, quando ela teve no RS. Na despedida eu disse "deixa eu te abraçar que não sei quando vou te ver de novo". Essas palavras foram tão fortes, que fiquei tempo pensando em minhas próprias palavras. Eu não sabia quando aquele momento poderia se repetir, mas sempre torci e esperei ansiosamente pra que isso acontecesse.
A saudade que sinto, a vontade de pegar o Pedro no colo, de poder dar aquele abraço de novo pra que mais uma vez possamos nos sentir inteiras, completas. Vi isso tudo acontecer na minha mente, e já tinha data marcada, mas por circunstâncias MUITO alheias a minha vontade nada disso pode acontecer agora.
As paredes são testemunhas do quanto eu chorei. Meus olhos arderam por horas, mas no fim decidi que a Ana e eu saberíamos conviver mais um tempo com a nossa falta. Entenderíamos que o abraço poderia ser dado em um outro momento, embora tenha ficado um vazio enorme até marcarmos uma outra data.
Meu final de semana foi assim, um misto de sentimentos. Saí com alguns amigos do meu namorado, rimos, nos divertimos, mas no fundo eu sabia que meu coração estava lá em Porto Alegre com aqueles que eu tanto estimo, que aprendi a amar e a viver uma louca história com todos. A Ana foi por nós duas. Nosso abraço adiado e esperado será recompensado.
Só quero dizer com isso que a Ana foi minha força das tantas vezes que estive tão pra baixo na minha vida. Que o Pedro, apesar de não me conhecer, é um pedaço de mim também e por vezes sonho com aquele sorrisinho que encontro nas fotografias.
Não quero fazer tempestade em copo d'água, mas só eu sei o quanto doeu ter passado mais uma vez... longe!


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