Toda vez que me calo é porque acabo de inventar uma história, triste ou feliz, mas história que não vivi.
Penso em tantas coisas que não acontecem. Naquele surpresa que não recebi quando esperei, de coisas simples que passaram longe.
Na ciumenta nata que não sente ciúme das pessoas mas daquele momento que acabam de desperdiçar comigo. Sou umbigóide ao extremo, preciso de atenção e principalmente aplausos.
Lembro do que pedi e não ganhei, do que não pedi e deixei de ganhar. Gosto de presentes, gosto de carinho, gosto de olhares. Gosto muito mais de receber e não acho egoísmo porque eu também me doo, e presenteio, e olho.
Ouço músicas que nada tem a ver comigo e são as que mais me identifico. Grito essas músicas quando estou sozinha em casa como se fosse uma forma de libertar tudo aquilo que não sinto, todos os sentimentos que deixei de sentir porque fiz escolhas.
Tudo aquilo que eu sinto deixo bem guardado mas todos ficam de sobreaviso: ou eu te amo ou eu te odeio e não me importo ser extremista. Aliás, odeio indiferença. Não sei lidar com meio-termos. Gosto de sorrir para as pessoas e gosto de flores mesmo sem ter a mínima noção de qual é o cheiro delas.
Queria criar um pinguim pra poder sair ao lado dele com aquele caminhar engraçado, me fazer lembrar do frio e não sentir o mau-humor que só o verão sabe me trazer.
E sempre planejo o meu dia anterior, passo horas lembrando das coisas que deixei de fazer. Prefiro não lembrar que a manhã seguinte tá chegando. Quando ela chega eu já não sei o que fazer, então eu vivo de improvisos e às vezes esqueço o texto.
A primeira coisa que eu faço é me olhar no espelho. 2 correntes: nada depois disso vai fazer meu dia piorar e minha motivação dá sinal de vida OU minhas olheiras estão verdes. Banheiro, escovar dentes, tomar café, escovar dentes…
Agora sim, bom dia! Queria ter uma tartaruga pra fazer um comparativo comigo. Gente estranha na rua. Salto alto estranha meu pé. Gente estranha na minha vida. Coisas estranhas acontecem. Eu to estudando e pensando em ler um livro que me fornecesse algum prazer.
Cansei de mim e quero agora a vida das pessoas, quero cuidar de gente que não quer cuidados. Quero cansar minha mente, meu corpo, quero sentir a exaustão agarrando os ossos, mas o sentimento de dever cumprido saboreando minha mente.
E quando mais uma vez eu acordar, quero ver que sou o oposto de tudo isso, vou ver sangue, briga e repugnantes cenas, não vou sentir o asco brotar nas entranhas. Vou ver gente em necrotérios e vou ser apática, e não vou me reconhecer. Vão querer que eu acredite em Deus, ou em Deuses. Vão querer que eu creia no que creem.
Vão dizer que sou lunática.
Vão simpatizar.
E continuarão todos me chamando pelo nome.


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